Bom dia!

Vai um misto quente aí?

É ou não o misto quente mais fofo que vocês já viram na vida?

Preciso disso para a minha futura cozinha!

A peça é da Minale Maeda, que tem diversas outras coisas com design bem interessante.

Gamei.

Comprinhas

Querem ver algumas coisinhas que comprei nos últimos dias? Vai que alguém aí está procurando alguma dessas peças…

Primeiro a saia longa estampada que eu tanto procurava.

Queria uma saia longa que vestisse bem, tivesse uma estampa linda  e não fizesse volume no quadril com zíper mal colocado. Por incrível que pareça, muitas saias que encontrei por aí, e bem caras até, tinham modelagem ruim e zíper mal colocado :(

Acabei encontrando essa na Bain Douche e achei a estampa linda, bem Açucena, me ganhou!

Agora um super achado na Renner!

Blusa de “seda”, com laço, nude, que veste super bem, tecido bem gostosinho, bem fresquinha. Coloquei o seda entre aspas porque obviamente a peça não é de seda, mas é de um tecido bem leve e digno.

Perfeita para usar com alfaiataria, fazendo a linha clássica-fina nos dias de calor. Porque né, usar camisa de manga longa está praticamente impossível nesse forno que é Natal!

e o melhor foi o precinho…

R$ 69,90 por uma peça que dá pra usar com quase todo, e será muito bem aproveitada!

(ficaram super diferentes as cores nas duas fotos, mas foi a iluminação que não cooperou. A foto abaixo é bem fiel à cor da blusa)

Já o brinco de pavão da Sol Bijoux foi uma paixão louca que me acometeu.

Vi a peça no orelha de uma amiga (oi Gabi!) e tratei logo de saber de onde era. Mas quando fui à loja, não tinha mais #quedó

Deixei meu telefone e, mais de um mês depois, a vendedora me liga dizendo que chegou o/. Eu queria com as pedrinhas verdes, mas só veio nessa cor lilás. Mesmo assim comprei né, fica liiiiiindo com o cabelo preso!

E, por último, uma compra “arriscada”, mas que deu super certo.

Tenho o maior problema pra comprar suitã, porque tenho peitão, mas minhas costas são muito estreitas.

Quem fabrica lingerie acha que a pessoa que tem peito grande é toda enorme, né? Então os sutiãs quando cabem meus peitos, são folgados nas costas. DRAMA!

Daí que só posso comprar lingerie da Liz, porque tem tamanhos separados de costas e taça. Geralmente o meu é 44D.

Mas os sutiãs da marca, além de carinhos, tem poucas variações. E vivo procurando outras alternativas para o “problema”.

Até que vi no blog da Paula Pfeifer essa dica de sutiã pra quem tem  busto grande e costas pequenas. Como era baratinho ( R$ 39,90), comprei na doida pra testar.

E não é que deu super certo?!

ADOREI!

O mais legal é que ele tem aro de sutentação mas não tem bojo (os da Liz todos tem bojo) e modela de um jeito bem mais legal. As laterais e as alças são bem larguinhas, e, apesar de tudo isso, ainda é bem bonitinho por causa da renda. Não tem aquela cara de “sutiã de tia gorda”.

Pedi no site que a Paula indicou. O link direto pro sutiã é este. Paguei frete de PAC e chegou depois de 10 dias na minha casa.

Já ouvi dizer que essa marca – Dilady – vende nas Lojas Americanas, então se vocês também sofrem do mesmo “mal” que eu, vale dar uma passadinha nas Americanas para provar esse bichinho aí

Agora que vi que deu certo, vou pedir de outras cores.

Ah, e o meu tamanho é 44. O mesmo que uso na Liz.

Fica lindo! Só não vou botar uma foto minha de sutiã porque, né… kkkk

Curso de Jornalismo de Moda

Essa é para vocês que vivem me mandando email perguntando sobre cursos de jornalismo de moda…

A Agda Aquino vai ministrar um curso nessa área, bem pertinho de nós, ali em João Pessoa.

O curso de extensão em Jornalismo de Moda vai ser  realizado no dia 05 de novembro (um sábado), na Faculdade Maurício de Nassau.

É um curso de curta duração, aberto à participação do publico em geral, de todas as idades, e não precisa ter curso superior para fazer. O encontro será de 8 horas, das 9h às 18h, com intervalo para o almoço.

A Agda é pesquisadora na área de moda e comunicação, e tem desenvolvido um trabalho muito bacana. Ela é professora lá em João Pessoa, e nos conhecemos quando ela fazia pesquisa de mestrado aqui na UFRN.

Além de dar aulas, Agda mantém um blog maravilhoso pra quem curte moda com mais conteúdo e informação. É de lá que transcrevo mais informações sobre o curso:

O que vai rolar por lá?  Jornalismo, jornalismo especializado, jornalismo de moda. A ascensão da área no mercado nacional e regional. Conceituação de moda e a diferença entre os termos moda, modismo, indumentária, figurino, estilo e tendência. A moda ao longo do tempo e sua relação com a sociedade. A importância da compreensão da história da moda para execução de um bom trabalho jornalístico. A indústria da moda, a compreensão do ciclo da moda e da informação nesse contexto. Os diferentes formatos da notícia de moda de acordo com o meio ou veículo de comunicação na qual está inserida, bem como a cobertura de eventos de moda e a produção de editoriais para revistas ou páginas na Internet. Portais e blogs: os novos espaços para o jornalismo de moda e suas características. Dicas para se profissionalizar no mercado através de trabalhos e cursos.

Inscrição? As vagas são limitadas e a inscrição pode ser feita no link http://www.mauriciodenassau.edu.br/inscricao/visualizarCurso/cod/1632/cid/3/fid/1

Eu acabei de fazer minha inscrição. To super empolgada pra ir lá aprender mais e fofocar um pouquinho com Agda. Quem quer carona?

E alguém tem dica de uma pousadinha BBB em João Pessoa? :D

 

Navy para gravação da TV

Semana passada a TV Assembléia gravou uma matéria comigo sobre a profissão de consultora de imagem.

A reportagem já foi ao ar, e está sendo reprisada dentro da programação da TV, num programa sobre mercado de trabalho e negócios.

Falei sobre moda, qualificação, formação, mercado…

quem se interessar, fica de olho aí na programação da TV – que é o canal 36 da Cabo, ou 50 na tv aberta.

No dia da gravação fiz uma combinação bem navy, usando uma mariniere e a minha pantalona (que amo e quero usar todo dia. Vocês perceberam nas últimas fotos, né? hahahahaha).

Nas fotos comigo, a repórter Larisse de Souza.

Vou tentar conseguir o vídeo da matéria para postar aqui no blog depois, ok?
:D

 

Mais um figurino Uma Graça

Ô trabalhinho bom de fazer é esse de consultoria de moda…

cuido do visual das minhas clientes como se estivesse arrumando minhas Barbies hahahahaha (brincadeira viu, é tudo muito sério e profissional. Mas quando a gente faz o que gosta, não tem como não ser divertido também. Ainda bem!)

Na última sexta-feira Camila fez mais um show junto com a Orquestra Sinfônica da UFRN.

Dessa vez a apresentação foi no encerramento da CIENTEC. Era um evento mais descontraído por estar na programação de uma feira de conhecimento da universidade, mas ainda assim pedia a classe e a reverência que uma orquestra sempre exige.

Optamos por um modelo quase todo branco, com um único detalhe em preto. O vestido é mais uma vez da Uma Graça.

É um vestido bem versátil, viu, meninas? Super indico ter um vestido longo e sem muitos detalhes no closet. Dependendo do cabelo e dos acessórios, ele poderá ser usado nas mais diversas ocasiões.

Os acessórios são todos S Design.

Os acessórios mais de pertinho:

me apaixonei por esse anel da S Design. É daquelas coisas com carinha vintage que me ganham na hora!

E ainda tem aqui algumas fotos que “furtei” do facebook, pra ver como ficou o vestido de longe, no palco:

Para quem gosta desse tipo de post, tem outros figurinos de show de Camila aqui e aqui.

 UPDATE: esqueci de dizer, mas, antes que vocês perguntem, cabelo e maquiagem foi mais uma vez obra de Dell Marques, do TG Chic.

A moda e a estética do sertão*

Quando vi pela primeira vez a emblemática fotografia das cabeças decepadas do bando de Lampião, muitos detalhes me passaram despercebidos. Foi preciso outros encontros com a imagem e olhares mais atentos, para que o detalhe mais interessante fosse revelado: as duas máquinas de costura nos cantos superiores da fotografia. Uma imagem carregada de simbolismo, que diz muito sobre a realidade da época.

uma das fotografias mais famosas da história do país, e as maquinas de costura lá…

No sertão da primeira metade do século 20 a máquina de costura tinha a importância que a televisão tem nos lares de hoje. O modelo Singer que aparece na foto, era o sonho de consumo das donas de casa. O sertão fechado, terreno inóspito, de chão rachado e tapetes de macambira, era o que os cangaceiros tinham para chamar de lar. E era onde se costurava, bordava e adornava.

A Singer vestia o cangaceiro para o combate, a criança para o batismo e a noiva para o altar. Cobria a viúva com o luto e as moças com o colorido da chita. Marcava períodos, fazendo bermudas  - que se chamavam calças curtas – para os meninos, e calças compridas para os homens. Coisas de um tempo em que ostentar o luxo de comprar roupas prontas, trazidas de fora, era coisa para pouquíssimos.

A estética do sertão é a estética da resistência. Da roupa usada até a fibra do algodão virar farelo. Do couro forjado em vestes para aguentar o peso da lida. Do vaqueiro com ares de cavaleiro medieval – não para se proteger de lanças de guerra, mas dos afiados espinhos da caatinga. Do aproveitar tudo até a última gota.

Muito ligado à natureza, o sertanejo carregava em sua indumentária as cores “puras”. O vermelho do sangue – para eles, o “encarnado” – lhes dava força. O branco das nuvens, a pureza. O azul, cor do manto de Nossa Senhora, também era a cor da água. E o homem do sertão tinha uma relação de verdadeira adoração com a água, sempre tão escassa, o que fazia com que o azul fosse a cor do acalanto, da serenidade. O amarelo, do ouro e da riqueza. Por vezes, todas as cores juntas, em combinações que a moda – aquela das passarelas – demorou a descobrir, mas que hoje não cansa de revisitar.

A herança estética que o sertão nos deixou é vasta. Rendas, bordados, estampas, materiais, texturas, artesanatos. Algumas dessas heranças mostram que a moda feita à mão tinha uma função social além da simples confecção das peças. O trabalho manual era momento de reflexão, era o divã das sertanejas. Quantas mães traçaram o destino dos filhos enquanto bordavam sentadas numa cadeira de balanço junto à janela? O olhar ora acompanhava a linha, ora se perdia no horizonte, mostrando que os dedos, de tão acostumados, já conseguiam seguir sozinhos, sem a supervisão dos olhos.

Imagem: daqui

Outras vezes, o divã era coletivo. Uma espécie de terapia de grupo onde as mulheres expurgavam os problemas familiares, dividiam experiências e falavam da vida de outrem – mais ou menos como fazem nas academias de ginástica de hoje. A “terapia de grupo” foi responsável por batizar um tipo de trabalho manual muito característico do sertão: o fuxico.  Creio que não há quem não conheça, mas não custa explicar: são pequenas peças feitas de retalho, que se unem para formar blusas, colchas, toalhas, ou o que  mais a criatividade permitir. A hora de costurar, era também a hora da fofoca. Ou do fuxico, como preferem os nordestinos. E assim ficou batizado.

O homem do sertão também era vaidoso. Comprar roupa nova para as festas de fim de ano e para o São João, era sagrado. Encontramos traços fortíssimos da vaidade masculina onde menos esperamos: entre os cangaceiros. Frederico Pernambucano de Mello diz em seu livro Estrela de couro, a estética do cangaço [2010], que “o bando de Lampião, sobretudo nos anos 30, possuía preocupações estéticas mais frequentes e profundas que as do homem urbano moderno”.

O próprio Lampião, vaidosíssimo, não abria mão do seu perfume predileto, o Fleurs D’Amour, da maison Roger & Gallet. A fragrância foi criada em 1904. Saiu de linha há anos, mas até hoje é possível encontrar raros frascos do Fleurs D’Amour à venda em sites como Ebay – a preço bem salgado, diga-se, por ser um perfume vintage.

O perfume preferido de Lampião, o Fleurs D’amour, em anúncio da época

Lampião também era um costureiro talentoso e dominava como ninguém a técnica do bordado à máquina. Há relatos de ex companheiros de cangaço, de que ele desenhava os modelos antes de levá-los à máquina, para garantir a perfeição (é certamente uma imagem cheia de dualidade, esta – a do cangaceiro estilista). Já alguns autores afirmam que trabalhos manuais delicados, como costura e bordado, tinham a função de higiene mental no cangaço.

A indumentária dos cangaceiros era imponente e chamava atenção de longe. À primeira vista, a falta de discrição no vestir seria uma contradição para um grupo que vivia quase sempre às escondidas, em fuga, perseguido pela polícia. Mas o traje do cangaceiro não era somente funcional: cada elemento da vestimenta tinha um papel importante de proteção – não só física, mas também espiritual. A “blindagem mística”, citada por Pernambucano de Mello.

Lampião sentando à máquina

Lembro de um episódio que meu bisavô adorava contar, sobre seu suposto encontro com Lampião, no sertão de Pernambuco. Vovô era rapazote e, no tal dia, dirigia por uma estrada de terra, conduzindo um carro carregado de bananas. Quando o veículo atolou, do meio do mato surgiu um grupo de homens, “com umas roupas que pareciam de vaqueiro, só que muito mais enfeitadas, cheias de moedas, coisas coloridas e coisas que faziam barulho”. Perguntaram o que o rapaz fazia, pra onde ia por aquelas estradas, e “se não tinha medo de encontrar Lampião”. Ao que meu avô, num ímpeto de coragem juvenil, respondeu: “Tenho medo não, que Lampião não é bicho”. O grupo deu uma gargalhada e ajudou o rapaz a desatolar o carro. Na despedida, apertaram as mãos e o chefe do bando disse: “Você sabe com quem está falando”? Diante da resposta negativa, ele concluiu: “Hoje você conheceu Virgulino Ferreira, o Lampião. E só deixamos você passar porque é um rapaz de coragem”.

Meu avô contava que depois disso “tremia feito vara verde” e demorou cerca de uma hora pra conseguir se acalmar, ligar o carro e ir embora.

Se a história é verdade, ou se ele contava apenas para deleite dos bisnetos, não sei. Mas sempre que ouvia isso, ficava imaginando as roupas daqueles homens.

O fascínio que a indumentária dos cangaceiros exercia sobre a minha imaginação de criança, não era diferente da admiração que causava ao povo da época. Há relatos de que até a polícia se deixou seduzir pelo visual do cangaço, e passou a se vestir de forma semelhante aos cangaceiros. Situação que fez um comandante emitir comunicado oficial proibindo os soldados de usarem qualquer coisa que não fizesse parte do uniforme em vigor, tais como “cartucheiras cow boy, chapéus exagerados à Lampião, enfeites amarelos nas bandoleiras, alpercatas de todo enfeitadas…”.

Mas, e hoje? Será que o sertão ainda guarda algum traço de pureza estética? 

“O sertão é um mundo que se foi” – afirmou certa vez Oswaldo Lamartine, em entrevista ao repórter Sérgio Vilar. Terá ido com ele, também, a identidade visual construída ao longo de tantos anos pelo povo sertanejo?

Para a escritora Clotilde Tavares, a televisão foi um forte agente transformador da estética do sertão. Com a TV vieram também as facilidades de acesso aos centros urbanos, às feiras do interior, à produção em larga escala. Hoje não há mais vantagem em costurar roupas em casa quando se pode ir à feira mais próxima e comprar peças a bom preço – e, o melhor, no mesmo estilo das celebridades televisivas.

Se algum resquício do estilo sertanejo de ontem ainda resiste, pensa Clotilde, ele se revela na paixão pelas cores. “Não conheço sertanejo que não adore uma cor forte, um colorido vivo, alegre. Hoje não vejo mais uma pureza estética no que se refere ao modo de vestir do sertanejo, mas o gosto pela cor permanece.”

De outra parte, o caminho inverso também acontece, e o sertão invade o resto do mundo através da TV. Uma das novelas de maior sucesso dos últimos tempos no país, Cordel Encantado – a “novela das seis” –, traz para as telas um sertão do início do século 20. A história se passa entre dois mundos imaginários – o reino de Seráfia, na Europa, e a cidade de Brogodó, no sertão brasileiro. O figurino é riquíssimo em detalhes, e, junto com a fotografia, é apontado como um dos principais elementos que contribuem para o sucesso do folhetim.

o romântico vestido de crochê da personagem Açucena. Comentado e desejado de norte a sul do país

Conversei com Karla Monteiro, que junto com  Marie Salles assina o figurino da novela. Ela contou que em meio ao extenso trabalho de pesquisa para montar o figurino dos personagens, surgiu o verbo “brogodar”, que se refere a bordar, tingir, trabalhar à mão as peças do núcleo da cidade de Brogodó. Tudo para dar vida a uma estética do sertão de ontem. Além disso, vários núcleos trabalham em conjunto para que elementos como rendas, bordados, couro e metal, estejam presentes no figurino. Ela resumiu parte do processo:

“Depois de ler a sinopse e de uma primeira conversa com nossos diretores Ricardo Waddington e Amora Mautner, onde a encomenda foi um mundo imaginário – afinal, os reinos de Serafia e a cidade de Brogodó não existem, a não ser no nosso texto –, começamos a pesquisa. Em um primeiro momento sobre a(s) época(s) da novela, final do século 19, quando a nossa história começa, e início do século 20. Depois fomos assistir filmes, pesquisar em alta costura, em livros de fotografia e álbuns de família. E  deixamos as necessidades de cada personagem ‘comandar’ nosso pensamento. Montamos vários ateliês. O de chapéu, comandado pelo Denis Linhares, chapeleiro carioca. O de envelhecimento e tingimento, e de marchetaria, com o Alex, artesão pernambucano, onde foi feito todo o trabalho de metal nas roupas dos cangaceiros. Dizemos que é um figurino de época com uma ‘pegada contemporânea’. Um olhar diferente da época porque cabe na nossa fábula brincar dessa forma. Quanto aos cangaceiros, a pesquisa foi feita em cima da indumentária dos vaqueiros, dos samurais, e sobre  Lampião e seu bando. Os gibões foram comprados em Fortaleza e adereçados no  nosso ateliê de marchetaria.” 

A moda brasileira há muito flerta com o sertão. Ora de maneira mais tímida, ora através de uma paixão mais declarada. O primeiro cupido desse affair foi provavelmente a mineira Zuzu Angel. Antes de entrar para a história por ter usado a moda para denunciar os horrores da ditadura, Zuzu já fazia história ao misturar artesanato nordestino com alta costura. O primeiro passo foi tingir algumas rendas – que eram utilizadas somente em panos de cozinha – na mesma cor dos tecidos nobres, e usar os dois materiais juntos em vestidos de festa. Depois ela fez peças com chita, bordados, labirinto, renda de bilro e até vestidos de noiva feitos com toalhas de mesa nordestinas.

o vestido noiva feito de toalha de mesa de Zuzu Angel

Outro aparecimento marcante do sertão na moda brasileira aconteceu em 2006, com a coleção “O sertão ri”, do também mineiro – e não acaso admirador do legado de Zuzu Angel – Ronaldo Fraga. A coleção foi toda inspirada na obra de Guimarães Rosa, especialmente em Grande Sertão: Veredas. Na apresentação do trabalho, o estilista afirmava: “O sertão é um só, e por não ter portas e janelas ele está em todo lugar.”

O sertão podia não ter portas, mas a moda brasileira tinha voltado a fechar algumas. Quarenta anos após Zuzu Angel, a desvalorização do artesanato nordestino havia voltado a ser uma pesada porta à espera de novamente ser derrubada. A renda de bilro era bonita para levar pra casa como lembrança das férias ensolaradas, mas para as passarelas – e para as vitrines mais refinadas – não servia.

O desfile de Ronaldo Fraga trouxe as cores e as texturas do sertão de volta aos holofotes. Nos anos seguintes, as próprias transformações sociais, que obviamente ecoam na moda, ajudaram a agregar valor e prestígio à estética nordestina. Começou-se a falar em economia criativa, sustentabilidade, e o artesanato ficou chique – passou a ser chamado handmade. Fazer o quê se a moda precisa de um estrangeirismo besta para agregar valor ao que antes não enxergava como tesouro?

modelos da coleção ‘O sertão ri’, de Ronaldo Fraga. Imagem: Oficina de Estilo

Assim, o sertão ganhou passe livre na alta costura brasileira. Entre uma coleção e outra, sempre aparece alguém tomando aquele pedaço de chão como inspiração. Mas o grande destaque dos tempos atuais, o sertão deve ao poder das novelas, como as maiores catalisadoras de tendências de moda do Brasil.

 “Para mim o artesanato nacional sempre esteve na moda, mas é uma surpresa que uma novela de época tenha essa força. O nosso intuito ao conceber e realizar o figurino foi a busca pelas características de cada personagem para ajudar a contar essa fábula deliciosa de fazer e de ver”, pondera a figurinista de Cordel Encantado.

Também têm um quê de fábula algumas coleções de estilistas potiguares inspiradas no sertão. Não por fugirem à realidade, mas por retratarem um sertão de lembranças.

A estilista Eveline Santos, da Avohai, fez uma coleção inspirada na natureza de Jardim do Seridó. As peças são cheias de detalhes que estimulam a memória afetiva de quem cresceu no sertão.

Em Currais Novos encontramos a Ana Marcolina, marca de Luciana Mamede, sempre bebendo na fonte  inesgotável de inspiração que é a região do Seridó.

Já o estilista Riccard8 San Martini, acaba de lançar uma coleção intitulada “Asa Branca”, que tem inspirações que transcendem a localização geográfica, mas que usa materiais tipicamente nordestinos – e já faz sucesso com um bracelete de couro que vestiria tão bem um cangaceiro quanto um gladiador.

croqui da coleção ‘Asa Branca’, de Riccard8 San Martini

Enquanto isso, em Nísia Floresta, a poucos quilômetros de Natal, um homem sonha com um Museu do Vaqueiro. Guardião da estética sertaneja, o empresário, músico e pecuarista Marcos Lopes é um purista quando se fala em tradição nordestina. Ele mantém um espaço onde funciona o tradicional Forró da Lua. O evento acontece uma vez por mês, promovendo um típico forró pé-de-serra, iluminado, é claro, pela lua cheia.

Marcos Lopes tomou pra si a missão de manter vivas as tradições do lugar onde cresceu. Com recursos do Banco do Nordeste (BNB), ele conseguiu viabilizar um projeto que oferece oficinas de sanfona e de artesanato em couro para crianças de Nísia Floresta. O mestre Júnior Souza vem de Cabaceiras,na Paraíba, ensinar a secular arte de trabalhar o couro, principalmente o couro de bode – o mais versátil e maleável. Durante as aulas são produzidos pequenos objetos como chaveiros, sandálias e chapéus em miniatura. A ideia é que com mão de obra especializada, o artesanato em couro possa vir a ser uma atividade econômica para a região.

O mestre explica que, em Cabaceiras, o couro é responsável por boa parte do dinheiro que circula na cidade. “Eu trabalho em uma fábrica de chapéus que fornece para o Nordeste inteiro. O couro é uma atividade econômica forte lá na minha cidade. Tem tradição, né, tem fama, aí todo mundo procura. Não falta trabalho pra quem quer e sabe trabalhar o couro. Já aqui a gente não vê esse tipo de trabalho”, compara.

Enquanto as crianças aprendem os mistérios do couro, é possível observar em cada canto da fazenda um pedacinho de história do Nordeste. Várias partes da indumentária do vaqueiro espalham-se pelo espaço. É o acervo do futuro Museu do Vaqueiro, que, enquanto não tem espaço próprio, fica exposto ali mesmo. Muita coisa está na família de Lopes há anos. Outras tantas são doações de gente que conhece o trabalho dele. Há um projeto aprovado na Lei de Incentivo à Cultura Câmara Cascudo para a construção do Museu, mas os recursos ainda não foram captados. Enquanto isso, Marcos vai catalogando as peças, e contagiando o máximo de pessoas que encontra pelo caminho com sua paixão pelo Nordeste. É assim, com um impressionante entusiasmo ao falar do museu, que ele consegue parcerias para colocar os planos em prática.

Fico imaginando como será quando o museu estiver pronto. Durante a curta, mas intensa “viagem” que fiz, olhando as selas, chapéus e gibões, penso que entrar nesse museu será como atravessar uma porteira de fazenda. Daquelas fazendas que quase todo Nordestino tem na lembrança. Mesmo quem nasceu no litoral e visitava o sertão somente nas férias, como eu. Mesmo quem não tinha essas férias, mas que, ao menos uma vez na vida, foi recebido em uma casa sertaneja.

E aí pensei na força da estética do sertão. Porque sempre que se fala em uma imagem que represente o Nordeste, a primeira visão que nos vem é a do sertão e não do litoral. É admirável o poder de um ambiente cinzento e pobre, que consegue se sobressair à outro leve e próspero.

É a bela vitória da meia-lua com estrela sobre a vela da jangada.

*texto originalmente publicado na revista Preá #24. Para ler outros artigos da revista, consulte a versão on line aqui.


 

O segredo do figurino de Steve Jobs

Você pode até achar que Steve Jobs usava sempre essa camisa de malha com gola rulê porque odiava botões, e que isso foi o primeiro passo para a criação do teclado touch screen.

Mas essa não é bem a explicação do figurino do senhor Jobs.

Perguntado em várias entrevistas sobre o porquê de usar sempre as mesmas peças, ele nunca falava sobre o assunto.

Agora, o biógrafo oficial de Seteve Jobs, Walter Isaacson, divulgou um trecho da biografia em que fala sobre “o mistério do figurino”.

E tudo começou – que diria – por causa do estilista japonês Issey Miyake:

“Em viagem para o Japão no começo dos anos 1980, Jobs perguntou a Akio Morita, presidente da Sony, por que os funcionários das fábricas usavam uniformes. Akio respondeu que, logo depois da guerra, as pessoas não tinham roupas e as empresas tinham que dar a seus trabalhadores algo para vestir. Com o passar dos anos, os uniformes transformaram-se em assinaturas de estilo, principalmente em companhias como a Sony, e isso se tornou um jeito de unir os trabalhadores com as empresas. “Decidi que queria esse tipo de união na Apple”, lembrou Jobs.

A Sony tinha contratado o famoso estilista Issey Miyake para criar seu uniforme – uma jaqueta feita de náilon reforçado com zíperes nos ombros, permitindo retirar as mangas e transformar a peça em um colete. Então Jobs ligou para Miyake e pediu para que ele desenhasse um colete para a Apple. Ele lembra: “voltei com algumas amostras e sugeri aos funcionários que seria ótimo se todos vestíssemos aqueles coletes. Rapaz, fui vaiado na hora. Todo mundo odiou minha ideia”.

Nesse meio tempo, Jobs ficou amigo de Miyake e passou a visitá-lo frequentemente. Ele começou a gostar da ideia de ter um uniforme para si mesmo, pela conveniência diária (ou lógica, como ele definiu) e pela criação de um estilo próprio. “Então pedi a Issey que me produzisse algumas das suas camisas pretas de gola rulê que eu gostava, e ele me entregou tipo umas cem”. Jobs percebeu minha surpresa quando me contou essa história, então me mostrou seu guarda-roupa. “É isso o que eu visto”, ele disse. “Tenho o suficiente para durar até o fim da minha vida”.

Tio Jobs tinha um closet igualzinho ao da Mônica, da ‘Turma da Mônica”. Grau de variaçãõ = zero.

E quer saber? Eu achava muito legal. Mas é claro que isso só era possível porque ele nasceu homem :D

 

Sustentabilidade na moda e nos cosméticos

O uso dos recursos naturais de forma responsável, sem comprometer as reservas naturais das gerações futuras, é uma necessidade real da qual as indústrias não podem mais fugir nem se esquivar.

Obviamente, as indústrias da moda e dos cosméticos também estão na corrida pela sustentabilidade. Não por que a humanidade se tornou boazinha e está preocupada com o planeta, mas sim porque os especialistas já deram a sentença: sustentabilidade já é um diferencial para a sobrevivência das empresas.

Mexeu no bolso, aí todo mundo corre atrás para se adequar.

Eu sempre fui curiosa e entusiasta de ideias que propõem uma moda mais ética, ecologicamente correta, criativa e que alie  design, funcionalidade à sustentabilidade.

E o nome de uma estilista inglesa tem chamado atenção do mundo todo com uma ideia ainda pouco comercial, mas incrivelmente curiosa e fantástica: Suzanne Lee - a estilista que fabrica roupas usando… bactérias!

Suzanne Lee

Isso mesmo. O projeto Biocouture produz roupas usando matéria orgânica e bactérias. Através de processos de fermentação, os microorganismos vão criando as fibras desse tecido biológico.

O resultado é um tecido que parece papel manteiga. Depois ele pode ser tingido, cortado, colado, moldado… o maior problema é que o tecido de Susanne Lee ainda não é resistente à agua.

Mas quem imagina o que essa pesquisadora do futuro das roupas pode estar desenvolvendo dentro de alguns meses?

Olha como ficam, atualmente, algumas peças:

Jaqueta com zíper, produzida através do processo de fermentação, e tingida em seguida

blusa com o tecido orgânico em estado mais natural

camisa com tingimento índigo blue. Seria o novo jeans?

Para entender melhor o processo, sugiro que vejam o vídeo da palestra dela no TED, em maio desse ano.

(aliás, vocês podem ir até a página do TED e conferir várias palestrar incríveis, principalmente as sobre design!)

Incrível, né?

Quem quiser saber mais sobre a produção de Suzanne Lee, pode acessar o blog  do Biocouture, que sempre tem atualizações.

E continuando no assunto sustentabilidade…

dia desses fui até o TG Chic conhecer a linha de tratamento para os cabelos Cris Dios Organics.

Bati um papo com Fabiana Gondim, a dona do salão, que me explicou que as práticas de sustentabilidade também chegaram com tudo ao universo da beleza e dos cosméticos.

O TG Chic é pioneiro aqui na cidade nessa área. Fabiana fez uma analogia interessante: um salão de beleza é uma mistura de oficina mecânica com lavanderia. O primeiro porque está sempre jogando óleos no meio ambiente (por causa do silicone presente na maioria dos produtos para cabelo), e o segundo por causa das lavagens.

Agora imaginem só a quantidade de resíduos que um salão joga no meio ambiente todos os dias com colorações, hidratações, shampoos, relaxamentos, permanentes, alisamentos, etc etc.

Isso sem falar na quantidade de química e radicais livres que entram no nosso corpo através de todos esses processos para nos deixar  ”mais belas”.

Pensando nisso, a cabeleireira Cris Dios criou a linha Cris Dios Organics, primeira linha de tratamento brasileira elaborada com matéria prima orgânica certificada, e totalmente livre de silicone.

Cris Dios é famosa nacionalmente pelos produtos. Na página dela tem várias entrevistas sobre o sistema de tratamento maravilhoso que ela criou.

A linha é formada por dois xampus, dois tipos de máscara, condicionador e o famoso óleo de argan.

É um tratamento que cuida do cabelo de uma maneira muito natural, sem elementos pesados ou agressivos ao nosso organismo. Perfeito para quem tem alergia ou sensibilidade a alguns componentes de fórmulas presentes em produtos de beleza.

O cheiro é uma delícia, muito relaxante. Cheiro de coisa natural mesmo, nada daquele odor forte de perfume artificial. E o cabelo fica bem levinho, uma seda!

Só fiz uma aplicação, mas já senti a diferença. E quero comprar o tratamento completo para ver o efeito a médio e longo prazo.

meu picumã logo após o tratamento com os produtos Cris Dios

Como eu uso coloração há anos, e a tinta já é uma avalanche de oxidantes e coisas “do mal” para o meu corpo, acho que vou ficar usando esses produtos orgânicos para melhorar pelo menos um pouquinho a situação :(

E também penso em, aos poucos, me livrar da tintura e assumir uma vida capilar mais natural.

Mas cadê coragem pra deixar de ser ruiva? hehehe

Então é isso gente. E se vocês souberem de mais ideias e práticas sustentáveis por esse mundo da moda e da beuaté, mandem aí nos comentários, ok?

 

 

Os saltos incríveis da Santa Lolla

Na última sexta-feria fiz uma produção de moda para uma revista da Editora Abril (depois conto mais aqui), e os sapatos usados nas fotos eram da Santa Lolla.

A “modelo” não era uma modelo profissional, era uma linda moça daqui de Natal, que foi personagem de uma matéria. Como ela não era muito alta, usamos saltões beeeeem avantajados, para ela parecer bem alta nas fotos.

Daí que os saltos eram todos lindos. Uma coisa meio arquitetônica, de encher os olhos de qualquer sapatólatra.

Aproveitei e pedi para o Vilmar fazer algumas fotos dos sapatos que mais curti, para postar aqui no blog.

Oha que escândalo:

amarelinho, com salto pesadão. Esse tem uma carinha de anos 70, como pede a moda atual

O vermelho também tem um arzinho de 70′s. A cor é linda, e a fivela no tornozelo valoriza as pernocas!

esse é demais! O rosa blush está com tudo, e o modelo é muito feminino. Bem drag queen romântica. Ou seja, eu!

verde, salto bem alto, mas mesmo assim, muito confortável! Foi o que disse a modelo que usou =)

por último, mas não menos linda, as espadrilles! Todo mundo tem que ter viu? E esse modelo é básico e lindo!

Como sei que muita gente vai se apaixonar pelos modelos, vou logo avisando que devolvi os sapatos à loja ontem, então garanto que ainda tem deles por lá.

Tem três lojas Santa Lolla em Natal: uma no Midway Mall, outra no Natal Shopping, e a terceira em petrópolis, na Campos Salles. 

Crédito das fotos:  Vilmar Costa