icone_lifestyle A Mochila do paulistano*

 

*Texto de Vanessa Barbara, publicado na Folha de São Paulo. Me mandaram esse texto, achei muito bacana e resolvi reproduzir aqui. Nunca me imaginei andando por aí de mochila – até que um dia vim morar em São Paulo. Agora, em três meses de cidade nova, minha mini coleção já tem três modelos diferentes de mochila. Uma mais esportiva e grandona, uma bem clássica, de couro, para usar no trabalho e uma arrumadinha que dá até pra ir a uma festchenha :)

 

Verdade seja dita: há de se respeitar a mochila do paulistano, essa corcunda de chumbo que carregamos por toda parte em detrimento da elegância e da escoliose.

Trata-se de um volume de tamanho médio, pesando de dois a cinco quilos e contendo o indispensável para a sobrevivência em território urbano, a exemplo do cinto de ferramentas do MacGyver.

O item mais importante, armazenado num bolso de fácil acesso, é o Bilhete Único, esse místico cartão magnético que abre as portas para a felicidade do transporte coletivo.

Outro objeto obrigatório é o guarda-chuva pequeno, daqueles que custam R$ 5 e duram uma única chuva. Quanto mais leve, melhor. É recomendável levar também um plástico para embrulhá-lo quando molhado.

Nessa mesma linha, uma resistente sacola dobrável é item de extrema importância, sendo utilizada para armazenamento geral. A minha tem capacidade para transportar um anão.

No departamento de estudo e lazer, incluímos um caderno de anotações e duas canetas (uma pode falhar), um volume de palavras cruzadas e um livro (ou leitor de e-book) de livre escolha.

Antes de embarcar num ônibus como o 177-H, faço questão de comprar na Amazon uns títulos adicionais para o Kindle. Há os que levam tablets e smartphones com joguinhos eletrônicos, mas a bateria pode acabar.

Em caso de calamidade pública (tufão, enchente, queda de meteoro, greve dos metroviários), nada melhor do que estar na companhia de um paulistano, que certamente terá víveres para a temporada (barra de cereal, chocolate, amendoim, sanduíches, frutas, biscoitos, achocolatado).

A garrafa d’água é tão essencial quanto o guarda-chuva, embora o líquido possa chegar à temperatura de chá. E mais: celular, blusa de frio, molho de chaves, manteiga de cacau, presilhas e elásticos de cabelo, porta-moedas, Band-aids, creme para as mãos, lenços de papel, absorventes, lixa de unha, óculos de sol, canivete, espelhinho.

Na carteira, que se assemelha a um tijolo, carregamos dinheiro (para o ladrão), documentos (cópia autenticada), cartão de visitas, cartão do SUS ou do convênio, carteirinha do Sesc, lista de prontos-socorros, cartão telefônico, cartão de crédito.

No meu caso, há também uma quantidade razoável de chicletes, uma caixinha de remédios, pente, lenço umedecido, kit costura, pacotinho de sal, clipes, escova de dente, pasta, fio dental, tesoura, um batom, sabonete líquido e uma lanterninha.

Conheço um sujeito que leva sempre na mochila um short e uma joelheira, “para o caso de rolar um vôlei”, e outro que carrega por aí uma felpuda toalha de banho.

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